Pode ser que meus passos deixem marcas Mas enquanto eu caminhar Subirei ao alto da montanha Para ver o que no mundo há.
De certo verei Tudo quanto possa dizer E de tanto caminhar Aprendi meio sem perceber Que o mais valoroso Encontro em seu sorriso Tendo em seus braços repouso seguro Adormeço tranquilo.
Mas se a lua deixar de brilhar, E não mais o sol aquecer Sei que ainda haverá o universo E mesmo na noite escura E no dia frio Terei o brilho das estrelas E não será nada sombrio Ao longo do amanhecer.
Olá! Nunca fui de pedir nada a quem lê os poemas, nossos poemas, porém, hoje farei diferente. Sou adepto da idéia de que um bom poema (se é que existam maus poemas), pede da mesma forma, uma boa música. Eis que com muito carinho, peço que ao lerem o poema a seguir, escutem concomitantemente essa música: Aqualung - Easier To Lie.
Deixe eu enterrar meus mortos Chorar meu passado Permitir que as coisas sigam seu caminho Me sinto perdido, caminhando muito Porém, sempre sozinho...
Deixe, De lado verei o futuro Segurei meu rumo Procurando acertar Chorando cada erro Na esperança vigilante de um novo acerto.
Deixe a canção tocar sem sentido Por horas e horas a fio Deixe vagar Por todo o tempo Mesmo aquele que não possuo Preciso estar Aquietar meu coração.
Vagar, de vagar Devagar Divagar Deixe estar Quieto Nos braços Nos laços Sem haver fim.
Deixe acertar Aceitar que as coisas sempre mudam E nos consomem Deixe eu chorar Não somos fortes Somos nuvem solta no céu Alta, bela, mas impossível de ser tocada Apenas admirada E um dia desaparecemos Com o sol que traz fim, jorrando luz Aquecendo o dia que se inicia após a madrugada.
Sobre a prancheta, de cor marrom, tom amarelecido pelo tempo, vejo brotarem palavras, apenas dou contorno ao termo, que se vê preenchido de emoção. Em meio a esse emaranhado de palavras, os sentimentos vão tomando forma enquanto a vida se esvai, de súbito somos felizes, alegria essa sem razão de ser ou existir. Disse certa vez o poeta, “a poesia não se entrega a quem a define”, logo, vivamos com intensidade o presente, sem tantos porquês, evitemos taxações e rótulos, que só nos afastam do real sentido das coisas. Desfrutemos com a energia que ainda nos resta as manhãs, ah sim, as manhãs tem o aroma do nascer, do constante recomeçar e buscar. As manhãs são únicas, unicamente perfeitas, todavia somos nós que não as percebemos assim, sintamos a vida pulsar, desvendemos com vitalidade o mundo que nos cerca, ousemos sorrir e sonhar. Desculpe-me a redundância, mas quero a vida mais vivida e por isso mesmo arisca, é o que nos fala essa tal de sabedoria popular, essa que rejeitamos em nome de um academicismo fajuto e superficial , diz-nos que “quem não arrisca não petisca”, pois que venham as dificuldades, de peito aberto e com a serenidade que nos cabe as enfrentaremos.
Aqueles que acham que estou enganado, que isso não passa de sonhos, devaneios, abstrações inerentes a falta de maturidade, reafirmo minha lucidez e tomo a liberdade de questionar onde está sua felicidade e ainda, o que te faz viver? Não tenha dúvida de que essas respostas serão indicativos claros de até onde conseguiremos seguir e aonde vamos chegar. Indubitavelmente caminhamos passos largos rumo à formatura, onde ostentaremos o título de formados, todavia, história sem sensibilidade é como tivéssemos nas mãos uma ferramenta obsoleta e cega. Eis o que tantos buscam e outros negligenciam, a função social da história, a história em si não tem o poder de alterar nada, são as pessoas que condicionam a ela valor e sentido. Em momento algum a história deve ser o fim, ou seja, o ponto aonde se chega, ela deve nos encaminhar a ações maiores, mesmo que na simplicidade rotineira de uma sala de aula, eis história e sensibilidade trabalhando juntas concebendo concomitantemente a função social da história.
Isso não é um texto de um militante, é antes de tudo um reafirmar de idéias e convicções, de um alguém que acredita na capacidade das pessoas, e nelas o dom de fazer o bem, unindo-se em torno de causas maiores, ao invés de simplesmente lutarem em benefício próprio, modificando sensivelmente a vida, mesmo que dificilmente consigamos entender a amplitude de seu significado e sentido. Rodrigo Costa Lima