“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça...” (Mario Quintana)
Ao longo do ano desejamos inúmeras mensagens de bem querer aqueles que se fazem importantes em nossas vidas ou que julgamos merecerem um pouco das nossas palavras, ainda que tortuosas ou simplórias. Passam-se os aniversários, passam-se as datas célebres - festivas e todos os votos tornam-se como lembranças oficiais para cada uma dessas ocasiões já marcadas no calendário anual. No entanto, esse período, esse momento, perpassa os demais pelo clima de união que se estabelece em todo lugar.
Ahh, o Natal... Natal... Esta data mágica, que envolve corações, enfeitando nossos lares, iluminando vidas, reacende no íntimo das pessoas os laços de comunhão fraternal e solidariedade, perdão e amor.
Façamos então, a nossa mensagem especial para aqueles que são especiais e numa data especial!
Viver este 25 de dezembro apenas como uma data festiva, não a torna completa, não nos permite acessá-la nem em seus significados recorrentes. Natal não é apenas uma data. Aquela data marcada no calendário de cada ano. Propícia para uma ceia bonita e farta posta a mesa, tal qual as propagandas de TV, onde logo após existe a entrega daqueles belos presentes escolhidos a dedo para aqueles que se fazem merecedores... Não! Natal nunca foi isso e quando o reduzimos a essas situações, ele realmente torna-se apenas mais uma data.
Natal é nascimento, renovação, reflexão! É o partilhar de abraços, sorrisos, sentimentos. Acontece primeiro em cada coração, para posteriormente existir em nossos gestos. Existe tanta pressa e o que realmente interessa nem sempre é vivido. Enquanto esperarmos pelo presente ou que o valor dele seja proporcional a quantidade de afeto do outro por nós, nunca experimentaremos realmente o Natal. A beleza hoje anda maquiada, estereotipada, uniformizada e a simplicidade se perde no meio disso tudo, o belo tem se tornado superficial e descartável.
Ei, você se encantou pela vida hoje? Já parou e observou o sol que arde lá fora? E o vento? Já parou pra sentir o vento? Ele, em plena harmonia com o sol, vem tocar e abrir suas cortinas, como para dizer-te: “Vem brincar comigo!” Ei, já reparou na vida? Já se emocionou vendo o pôr-do-sol? E o cheiro bom de terra molhada? Há quanto tempo você não observa a chuva? Os sons do seu pimpilar... Os pássaros em revoada, as folhas que caem e cobrem de carinho o chão. O Natal é feito de simplicidade, da humildade que nos aproxima, da humanidade que nos inunda dos reais e verdadeiros desejos.
Chegar ao fim de ano e olhar para traz nos faz refletir o quanto percorremos e o quanto vivemos até este dia. Repensar alegrias, tristezas, inícios e fins, vitórias e derrotas tornam-nos mais dispostos e corajosos a encarar o que possa vir a acontecer adiante na nossa jornada. Este é o momento de repensarmos atos, palavras, repensar o eu de cada um. Reparar os erros dessa caminhada.
O nosso desejo de Natal é que os momentos felizes se façam presentes no hoje e no amanhã. Que a paz una não somente para o agora, mas que se mostre como uma força superior que deseja permanência duradoura. Que a felicidade e a alegria estejam presentes em cada palavra ou cada gesto que por ventura atravesse o teu olhar. Que o amor fortaleça os laços e mostre-os do quão é capaz de tornar tudo tão belo e digno de ser vivido intensamente, sem nenhum medo. Que as trocas sejam de carinho, atenção e afeto e não somente de meros presentes. Que a fartura seja de extasiantes alegrias e não somente de comidas maravilhosas. Que o líquido seja representado pelas lágrimas dos tantos risos incontidos e não somente pelas bebidas. Que possamos repartir nos abraços, o amor verdadeiro! E por fim, que a festa seja resultado das tantas alegrias de tantos reencontros marcados... e não somente pelas badalações festivas!
Desejamos, com todo o carinho que o mundo nos permite, um Feliz Natal a todos.
P.S.: Agradeço a Nayara (Nay) a parceria nesse texto, sem dúvida uma honra muito grande escrever sobre o Natal com uma pessoa de tanta senssibilidade e bom humor! Além disso, ela mantém um blog, [Entre]linhas & Rabiscos, vale conferir!
Bebi esperanças tristes Em dias invernais Cavei meus próprios abismos Vaguei a vagar entre desatinos Sem tanto compromisso.
Mas ei, Não há tristeza que dure mais que a solidão Solidão é passo apressado ao que vai chegar Tristeza é criança birrenta Pessoa avarenta que não sabe partilhar.
Então Num segundo ajeito a camisa Inverto o prumo dessa prosa: Rapaz quanta tolice O amor que não se vive É a própria contradição.
Contra toda vírgula e desilusão Bote um sorriso nesse rosto E paz no coração Viva de verdade Não de verdades Suprima toda dor Esqueça as vaidades Enfeite a vida de cor E de felicidade!
Não posso. Não posso pensar na cena que visualizei e que é real. O filho que está de noite com dor de fome e diz para a mãe: estou com fome, mamãe. Ela responde com doçura: dorme. Ele diz: mas estou com fome. Ela insiste: durma. Ele diz: não posso, estou com fome. Ela repete exasperada: durma. Ele insiste. Ela grita com dor: durma, seu chato! Os dois ficam em silêncio no escuro, imóveis. Será que ele está dormindo? - pensa ela toda acordada. E ele está amedrontado demais para se queixar. Na noite negra os dois estão despertos. Até que, de dor e cansaço, ambos cochilam, no ninho da resignação. E eu não agüento a resignação Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.