sábado, 15 de janeiro de 2011

DELICADAMENTE SONHAR




AMAR

Quem vive
E não reparte seus sentimentos, seu coração
Vive, mas tem medo de viver
Duvido se até não viva em vão
Acredito que viva só
Tendo a incômoda companhia da solidão
Todo o seu receio e medo
O faça rejeitar qualquer carinho ou emoção
Pode ser que tenha sido ferido mortalmente
Pela dor de uma grande ilusão.

Quem não se permite
Viver intensamente as sensações
Sabe displicente, que a primavera passa
Mas qual é a graça de não sentir o perfume da flor
A beleza das cores vibrantes em plena harmonia
Os pássaros tecendo a manhã
Anunciam a todos a chegada do dia
E quiçá
A aurora de uma nova vida.

Quero a beleza de um amor escondido
Bem cuidado
Simples e sincero como o orvalho
Intenso e sereno como o gorjeio dos pássaros
Quero o olhar enamorado da garota minha
Que seja ela, o ente onde posso repousar
E eu seja a ela, um intenso amante, um amigo
Um abrigo a quem posso sempre recorrer e procurar.

Quero, contudo
Um segundo...
Descobrir o segredo que há em seu olhar
Onde se manifesta todo o dom criativo da poesia
Quero sua mão junto a minha
E assim, cultivemos a eterna magia do saber amar.

Nessa toada
Toda a vida
Assim vai
Mas permanece
E nunca será esquecida
No coração de quem soube realmente se dar
Doar
Porque a vida não é sua, nem minha
A vida é feita de momentos
De fecundos ensejos
Daqueles que têm a simples coragem de amar.

Rodrigo Costa Lima

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A COR DO SONHO




VERSÃO DOS VERSOS CONFESSOS

Eu deixei meu coração bater
Onde não ardia
Eu deixei meu coração pulsar
Sobre o que não havia
A vida uma tristeza súbita
De um existir em vão
O que acontece comigo
Será que alguém advinha?

Rodrigo Costa Lima

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

domingo, 12 de dezembro de 2010

SONHAR EM TEMPO



PRESENTE A MEMÓRIA DO PASSADO FUTURO AGORA RECORDADO

O silêncio da tarde
Paira sobre meus ombros
Recordo-me de tanta vida desperdiçada
A espera da graça de ser levada a sério, vivida com empolgação e prazer.

O passado abre suas cortinas
Ao memorável mundo louco do que nunca aconteceu
Concretamente...
Os sonhos foram sonhados.

A escolha que nunca foi feita
A palavra escolhida, mas nunca dita
O beijo que não foi roubado
O gol que não foi comemorado
Afinal, nunca fora marcado
O encontro adiado
Os braços a espera do abraço
O medo,
A solidão,
As razões ao Sonhador, Trovador solitário.

O certo, é que em todos esses anos
A vida não foi
É presente, mas como pode ser passado?
De certo, apenas passou...
Mas o que sinto, ao contrário
É uma presença constante
Porém, como ignorar o calendário?

O tempo quis brincar de ciranda
Colocou-me na roda
Enquanto rompia a redoma frágil da vida
Que imaginei ter criado...
O tempo, talvez ele tenha me levado
Em outras, prematuramente me retirei
Imaginei, mas nunca parti
Talvez eu esteja lá e não aqui.

Quando desisti de brincar
O tempo havia passado
E eu, calmamente
Mantive-me a margem dos meus passos. 

Rodrigo Costa Lima

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SONHOR COR DE FUTURO



Quebra-Cabeças do Tempo

Meu estilo é da cor do mundo
Meu estilo é dar cor ao mundo
Meu estilo é dar corda ao mundo
Meu estilo é em si um passo fundo
Meu espírito deseja hálito limpo, corpo puro
Mas quanto ao mundo... Insisto em rimá-lo com imundo
O que faço com o mundo? Como mudo?
Se estou mudo, como posso enxergar o futuro?
Ante o seu muro, o Sonhador constrói uma janela
Tão linda e singela
E nela, tal qual uma tela
Abre-se um expectador
Um certo Sonhador
Contemplando o futuro, presente em outras eras.

Rodrigo Costa Lima